O DRE, Demonstrativo de Resultado do Exercício, é uma importante ferramenta de gestão, não exclusiva do varejo farmacêutico, que proporciona uma análise minuciosa da operação do negócio. Envolve indicadores básicos, que podem se referir ao desempenho geral da equipe, performance individual e até mostrar a rentabilidade final de uma categoria ou um produto específico.
Apesar de a prática do mercado compreender a interpretação mensal do DRE, a ferramenta pode – e deve – ser utilizada em outras ocasiões. Aqui, destacam-se os períodos de campanhas. Entender o tráfego de clientes, o ticket médio e especialmente o CMV nas ações permite um planejamento mais eficiente, um plano de ação mais assertivo e, consequentemente, um resultado mais lucrativo.
A análise do DRE compreende indicadores de entrada e saída de recursos financeiros, e o balanço final entre esses números representa o chamado resultado líquido, que pode ser positivo (quando a entrada é maior que a soma das saídas) ou negativo (quando a soma das saídas supera o total de entrada).
O faturamento é o dado que recebe um acompanhamento mais estreito por todos os proprietários e gestores. Infelizmente, muitas vezes, é o único. Para uma análise mais apurada do DRE, deve-se usar o faturamento líquido, que equivale ao faturamento bruto excetuados os descontos concedidos.
Para farmácias independentes, o faturamento líquido é o único indicador referente à entrada de recursos financeiros. No caso de empresas maiores, pode haver recebimentos através de investimentos de parceiros ou negociação de ações da empresa, por exemplo. Se houver mais de um tipo de entrada, deve-se somar ao faturamento líquido.
O faturamento pode ser representado pela multiplicação entre a quantidade de clientes atendidos e o ticket médio, que significa a média de quanto cada cliente atendido gasta na farmácia. Esses dois indicadores mostram a eficácia das ações de comunicação da loja, na geração de tráfego de clientes, e do atendimento.
Quando a equipe promove um atendimento proativo, focado em solucionar as necessidades dos clientes, o impacto no ticket médio é imediato. A satisfação do cliente com o mix de produtos e com as indicações do atendente reflete em compras mais altas, geralmente com itens de compra não programada. Por isso, interpretar as variações na quantidade de atendimentos e entender o ticket médio são partes essenciais do DRE.
Já as saídas de recurso estão divididas em dois grandes grupos: CMV e despesas. É de suma importância entender a diferença entre esses grupos, monitorá-los e saber interpretá-los de acordo com o que acontece na rotina da loja. O controle do fluxo de recursos depende intimamente do controle desses indicadores.
As despesas são referentes aos pagamentos da farmácia, por produtos e serviços adquiridos. Fazem parte dessa saída custos operacionais, como folha de pagamento e impostos, além de itens de consumo próprio (material de escritório e limpeza, contas como luz, água e internet, entre outros) e outros investimentos, como manutenção ou aquisição de equipamentos.
Já o CMV, o Custo da Mercadoria Vendida, é a parcela referente ao preço de custo de todos os itens vendidos no período. É esse valor que deve nortear o planejamento das compras, uma vez que, numa farmácia com o estoque já maduro, a maior parte do investimento em compras é com a reposição dos produtos vendidos. Muita gente confunde CMV com o pagamento dos fornecedores, mas perceba que são indicadores bastante diferentes. O pagamento dos fornecedores engloba toda a mercadoria comprada, enquanto o CMV refere-se apenas à mercadoria que foi vendida.
Fazendo-se o balanço entre entradas e saídas, encontramos o chamado ponto de equilíbrio, valor de faturamento líquido equivalente à soma de despesas e CMV. Caso o ponto de equilíbrio seja maior do que o faturamento, falamos em prejuízo, devido ao resultado negativo. Sendo o ponto de equilíbrio menor do que o faturamento, podemos perceber a rentabilidade da operação, frente ao resultado líquido positivo.
Finalmente, é o resultado líquido que expressa lucro ou prejuízo. Algumas vezes, há divergência entre o valor do DRE e o que acontece na prática, devido às movimentações do fluxo de caixa. Sendo assim, resultados minimamente positivos podem transmitir a impressão de operação negativa. Por isso, é importante acompanhar diariamente os dados e relacioná-los aos fatos que ocorrem na loja.
O diagnóstico através do DRE é seguro, confiável e prático. Tornar o uso dessa ferramenta uma rotina gerencial é sinônimo de profissionalismo na gestão, trazendo mais segurança e efetividade na tomada de decisões.



