DRE x Fluxo de Caixa: Por Que Sua Farmácia Vende Mais, Mas o Dinheiro Não Aparece?

DRE x Fluxo de Caixa Por Que Sua Farmácia Vende Mais, Mas o Dinheiro Não Aparece

Problema rotineiro entre os proprietários de farmácia independentes é ver o movimento aumentando, faturamento crescendo, mas não enxergar a cor do dinheiro. Essa discrepância entre o resultado líquido do DRE e o valor na conta da empresa pode ter a ver com o fluxo de caixa desregulado. Já pensou nisso?

Antes de mais nada, é necessário entendermos a diferença entre os conceitos de DRE e fluxo de caixa. O DRE, Demonstrativo de Resultado do Exercício, é uma importante ferramenta de gestão, não exclusiva do varejo farmacêutico, que proporciona uma análise minuciosa da operação do negócio. Envolve indicadores básicos, que podem se referir ao desempenho geral da equipe, performance individual e até mostrar a rentabilidade final de uma categoria ou um produto específico.

Já o fluxo de caixa rastreia todas as entradas e saídas financeiras do negócio, em um determinado período. Ele calcula o saldo disponível subtraindo os pagamentos dos recebimentos, revelando a saúde financeira da empresa. Quando em desacordo com o DRE, demonstra a necessidade de ajustes, especialmente nos prazos e datas para pagamentos.

Embora, em teoria, ambos contemplem entradas e saídas, na prática a diferença aparece. Enquanto o DRE mostra o resultado da operação da farmácia, o fluxo de caixa mostra a realidade dessa operação, a partir do valor que consta em caixa ao final do período.

A análise do DRE compreende indicadores de entrada e saída de recursos financeiros, e o balanço final entre esses números representa o chamado resultado líquido, que pode ser positivo ou negativo, mas não leva em consideração a sequência desses acontecimentos (entradas e saídas).

É justamente nesse ponto que está a relevância do fluxo de caixa. Consideramos ideal um fluxo em que as saídas só acontecem após as entradas. Trocando em miúdos, é desejável que antes se receba pela venda da mercadoria, e só depois se façam os pagamentos aos fornecedores pela aquisição dessa mesma mercadoria.

Outro ponto importante é o pagamento das contas de consumo e compra de material de uso e consumo em loja. A programação desses compromissos financeiros deve contemplar um razoável prazo de distância em relação a outros pagamentos com datas pré-definidas, como o pagamento dos funcionários e os impostos, por exemplo.

Em um cenário ideal, DRE e fluxo de caixa caminham juntos. Observar, ao final do intervalo de tempo avaliado, o mesmo resultado em ambos é o grande objetivo das duas análises. Se houver divergência entre eles, é necessário estudar o caso, estruturar e executar um plano de ação que faça os ajustes e leve à convergência dos resultados.

Uma das importantes ações nesse caso é a compra a prazo. Parcelar e prolongar as datas de pagamento possibilita que a mercadoria recebida gire e que se receba por essas vendas. Sendo assim, o fluxo de caixa mais adequado tem por seguimento:

AQUISIÇÃO E RECEBIMENTO DA MERCADORIA

VENDA DOS PRODUTOS

RECEBIMENTO DAS VENDAS (À VISTA E CURTO PRAZO)

PAGAMENTO DOS FORNECEDORES

Para tanto, deve-se analisar os prazos atuais: o prazo recebido dos fornecedores, levando em consideração o giro dos itens e o pedido mínimo, e o prazo concedido aos clientes, considerando convênios, crediário e parcelamentos (caso não haja antecipação do recebimento).

Se a soma dos valores de recebimento nos prazos concedidos exceder a soma de valores dos prazos de pagamento recebidos, ou seja, demore-se mais a receber do que a pagar, a divergência no fluxo de caixa em relação ao DRE é certa. Nesse caso, duas ações são necessárias.

A primeira é a revisão dos prazos concedidos aos clientes. Favorecer a compra com pagamento à vista, reduzir os valores em crediário e estabelecer critérios cuidadosos em relação ao cartão de crédito parcelado, como valor mínimo de parcela e prazo máximo de parcelamento.

Ao mesmo tempo, também se deve fazer a revisão dos pagamentos. Além de, como já mencionado, programar datas afastadas de outros grandes compromissos financeiros, obter maiores prazos pode garantir a sequência mais adequada do fluxo de caixa. Prefira fornecedores cujo pedido mínimo para parcelamento e prazo maior não exija que você extrapole seu orçamento para compras.

Além disso, mantenha a análise rigorosa do DRE. Ele funcionará como a “teoria”, enquanto o fluxo de caixa mostra a “prática”. Conciliar essas duas ferramentas leva a uma gestão mais profissional, inteligente e estratégica, e o impacto positivo na rentabilidade da operação é garantido.

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